Programa ‘Professores da Família’ pode reduzir evasão escolar?

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STF decide, em 6/abril, sobre o piso nacional

Na próxima 4a feira, dia 6 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá retomar o julgamento da ADI 4167. Essa Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) trata da Lei 11.738/2008 que regulamenta o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica.
A constitucionalidade de vários artigos está sendo questionada, existindo especial interesse em relação à manifestação do STF sobre o art. 3o que transforma o piso salarial em vencimento básico. A esse respeito já há uma manifestação inicial dessa Corte pela qual, “até o julgamento final da ação, a referência ao piso salarial é a remuneração e não (…) o vencimento básico inicial da carreira”. Isto é, por enquanto, o valor do piso que Estados e Municípios estão obrigados a cumprir pode incluir gratificações e vantagens. Mas, se a decisão final for diferente, o piso se tornará vencimento básico e sobre ele deverão incidir as vantagens e gratificações previstas em lei.
Os Estados que propuseram a ADI torcem para que isso não aconteça, sob a alegação de que as repercussões financeiras seriam insuportáveis. No entanto, a Advocacia Geral da União (AGU) e a Procuradoria Geral da República (PGR) já se manifestaram  pela constitucionalidade de todos os dispositivos da Lei 11.738/2008.
Em Minas, estudo que apresentei na Comissão de Educação da Câmara Federal, há pouco mais de dois anos, indicava um impacto anual de R$3,1 bilhões. Com a implantação da remuneração por subsídio esse impacto deverá ser menor, mas ainda muito elevado porque, caso venha a ser aprovado o piso salarial nacional como vencimento básico, muitos servidores poderão avaliar que é mais vantajoso voltar a receber na forma de vencimento básico acrescido das vantagem a que têm direito.
Por enquanto, a Lei está sendo cumprida em Minas. Para 2011, o Ministério da Educação (MEC), ancorado em parecer da AGU, fixou o valor do piso nacional em R$1.187,97 para professor com formação de nível médio e para uma jornada de 40h semanais. Isso corresponde a R$5,94/h. Na rede estadual de Minas existem apenas 6,7 mil professores com formação em curso normal de nível médio que, a partir de 1o de janeiro deste ano passaram a receber um subsídio mínimo de R$1.122,00 por uma jornada de 24 horas, ou R$9,35/h de trabalho. Ou seja, o mínimo pago em Minas é 57,4% maior que o fixado pelo MEC.
Há, no entanto, uma divergência em relação ao valor do piso nacional. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino (CNTEE) tem uma interpretação diferente da Lei e definiu, para 2011, o valor do piso nacional em R$1.597,00 , ou seja, R$7,98/h. Veja que, mesmo neste caso, o valor mínimo pago em Minas é superior (17,2% maior).
No dia 6, todos estarão de olho na televisão acompanhando o julgamento no STF.
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PROEB 2010: fechando um ciclo com chave de ouro (2)

O ensino médio é um “osso duro de roer”.

Em todo o Brasil, esse é o nível de ensino que vem apresentando mais dificuldades para superar os problemas que apresenta. E não é sem razão, porque ele é o estuário de tudo de bom e de criticável que acontece ao longo da educação básica. Por isso mesmo, os seus problemas não se resolverão por consequência de uma ação limitada ao âmbito dos três anos do ensino médio, mas por uma intervenção que alcance todos os níveis do sistema de ensino.
Os dados recentemente publicados SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) colocam em evidência esse fato: apesar dos esforços e dos investimentos realizados, os resultados do 3o ano do ensino médio caíram 8,2 pontos em Matemática e 7,1 pontos em Português, de 2009 para 2010. Do ponto de vista do desempenho dos alunos, o ensino médio está andando para trás.
Em Minas, a série histórica dos resultados do PROEB mostram uma tendência bem diferente. O desempenho dos alunos tem crescido continuamente, como mostra o gráfico a seguir, embora a taxas menores que no ensino fundamental.
De 2000 a 2010, as taxas de aumento da proficiência são de 15,1% e 5,3%, em Matemática e Português, respectivamente. De 2009 para 2010, o desempenho dos alunos cresceu 6,6 pontos em Matemática, e 7,4 pontos em Língua Portuguesa. Esses resultados do PROEB 2010, antecipam um bom desempenho de Minas na avaliação da Prova Brasil, em 2011.
Além disso, a proficiência média tem aumentado porque o percentual dos alunos de baixo desempenho tem diminuído (e, não, porque somente os melhores alunos melhoraram mais ainda) Em 2006, 67,1% dos alunos tinham baixo desempenho em Matemática e 35% em Português. Em 2010, esses percentuais diminuíram para 54,8% e 23,7%, respectivamente.
É importante observar o deslocamento dos alunos dos níveis de desempenho mais baixos para os mais elevados, de 2006 a 2010. No caso de Português, a variação no percentual de alunos de desempenho (-11,3%) é aproximadamente igual ao aumento no percentual de alunos no desempenho recomendável (10,2%). Isso significa que o trabalho realizado pelos professores de Português tem sido capaz de transferir do nível intermediário para o recomendado um percentual de alunos aproximadamente igual ao que foi transferido do nível baixo para o intermediário.
Em Matemática é diferente: o percentual de alunos promovidos do nível intermediário para o recomendado é bem menor que o dos alunos promovidos do baixo para o intermediário. Isso resulta num acúmulo de alunos no nível intermediário, isto é, a meio caminho de alcançar o patamar recomendado.
Bons resultados “não caem do céu”, como todos sabemos. Muito esforço e energia foram investidos nos projetos realizados nesses oito anos. Três dos oito projetos estruturadores da SEE visavam melhorar o ensino médio: o Promédio, o Escolas-Referência e o Programa de Educação Profissional (PEP). Além disso, foram implantados o projeto Aprofundamento de Estudos, distribuídos livros didáticos para todos os alunos desse nível de ensino e garantida merenda escolar para todos os alunos do noturno.
Em conclusão, os investimentos e esforços realizados por todos não têm sido em vão. Isso alimenta a expectativa de que, mantida (e até intensificada) a determinação de melhorar o ensino médio e torná-lo mais atraente, significativo e alinhado com os planos de futuro dos alunos, são grandes as chances de se obterem resultados mais expressivos nos próximos anos.
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PROEB 2010: fechando um ciclo com chave de ouro (1)

Valeu o esforço, pessoal! Temos mais é que comemorar.
Saíram os resultados do PROEB 2010 e não deu outra: os resultados continuam melhorando, refletindo o bom trabalho feito por todos. Parabéns aos professores, diretores, especialistas e demais servidores das escolas estaduais e municipais.
Examinem a série histórica dos resultados do PROEB da rede estadual.
Vejam se não é para comemorar. Desde 2003, a proficiência média do 5o ano do ensino fundamental (EF), na rede estadual, aumentou 23,9%, em Matemática. Saímos de 189,7 pontos, em 2003, para alcançar 235,1 pontos, em 2010. Um aumento médio de 6,5 pontos por ano. Em Português foi melhor ainda: uma taxa de crescimento de 24,5%, no mesmo período, com um aumento médio anual de 6,1 pontos na escala de proficiência. A proficiência média em Matemática já ultrapassou os 225 pontos estabelecidos como nível recomendado de desempenho. Em Português ainda faltam 7,9 pontos.
Devido a esse ritmo de crescimento, algo muito interessante pode ser observado nos dados apresentados. Em 2010, os alunos do 5o ano já alcançaram um desempenho em Matemática (235,1) superior desempenho dos alunos do 9o ano (229,1), em 2000, estando faltando apenas 6,8 pontos para alcançar o desempenho de 2003.
Os resultados do 5o ano vêm melhorando mais rapidamente opor várias razões. Há duas que merecem destaque. Primeiro porque, a partir de 2008,  todos os alunos avaliados entraram na escola aos seis anos. Isso representa um ano a mais de preparação até a primeira avaliação do PROEB,  e isso está fazendo diferença. Em segundo lugar, eles se beneficiaram dos efeitos positivos das novas ações implantadas pela SEE e desenvolvidas nas escolas em apoio aos anos iniciais do EF, a partir de 2003. Os bons resultados que vêm sendo obtidos atestam o acerto das políticas e ações implementadas.
Algo semelhante acontece com os alunos do 9o ano, em relação aos do 3o ano do ensino médio: em 2010, os primeiros já alcançaram 268,9 pontos, valor superior  aos 252,3 pontos dos alunos do 3o ano do EM, em 2000, e muito próximo dos 273,3 e 274,6 pontos obtidos em 2003 e 2006, respectivamente.
A continuar nesse ritmo, ao final de 2014 o desempenho dos alunos do 5o ano do EF deverá alcançar 261,0 pontos, em Matemática, e 241,5 pontos, em Português. E isso será muito bom, porque o sistema de ensino terá alcançado um elevado nível de eficácia nos anos iniciais do EF.
As taxas de aumento da proficiência média dos alunos do 5o ano recomendam que seja dada uma atenção maior ao ensino nos anos finais do ensino fundamental e, especialmente, ao ensino médio.
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Uma parceria de peso

Nesta quarta-feira, dia 16 de março, o Governo de Minas assina termo de convênio com a Vale para apoio ao Programa de Educação Profissional (PEP). Serão R$100 milhões destinados a manter as atividades atuais e ampliar o número de vagas para formação técnica de nível médio. Ainda neste ano de 2011, serão abertas novas inscrições para admissão, no segundo semestre, de novos candidatos aprovados no processo de seleção.
Esse convênio coroa os entendimentos que vêm sendo mantidos com a Vale deste o final do ano passado. Em reunião realizada em dezembro, com a presença da Profa. Vanessa Guimarães (Secretária de Educação) e da Dra. Renata Vilhena (Secretária de Planejamento e Gestão), apresentei o PEP á equipe da Vale.
O desafio do PEP era, e continua sendo, ampliar as oportunidades de formação profissional técnica de nível médio para os alunos regularmente matriculados no ensino médio de escolas estaduais e para quem já concluiu esse nível de ensino. E nisso ele foi muito bem sucedido. Em 2007, o existiam apenas 4,8 mil alunos em cursos de formação profissional mantidos pelo Estado. Em 2010, esse número saltou para 135,1 mil alunos, um crescimento de 2,7mil% em três anos.
Evolução da Matrícula no PEP
Em nova reunião realizada em janeiro deste ano, no último dia em que trabalhei na Secretaria de Educação, a equipe da Vale, reconhecendo o valor desse Programa, anunciou a disposição de apoiar Minas Gerais com um aporte de recursos de R$100 milhões. Considerando que o custo médio de cada técnico formado é de R$3,87 mil, o apoio da Vale representa 26 mil novos anos se todo o recurso fosse aplicado na ampliação de vagas.
Essa é uma parceria de peso e a juventude mineira agradece.
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Educação: uma Questão de Estado?

Em dezembro de 2010, o Governo Federal enviou ao Congresso Nacional o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020. As metas, diretrizes e estratégias estabelecidas no Projeto de Lei no 8.035 começaram a ser examinadas, recentemente, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. No mesmo mês, a Assembléia Legislativa aprovou a Lei no 19.481, sancionada pelo Governador em 12 de janeiro de 2011, que institui o Plano Decenal de Educação do Estado de Minas Gerais (PDEMG).
Em ambos os casos, a intenção é salvaguardar a Educação de interesses menores e tratá-la como uma questão de Estado. Sem essa proteção, será impossível alcançar o nível de qualidade que se deseja da educação nacional. As idas e vindas que acompanham as mudanças de governo só geram frustração e desalento. O esforço realizado num período é, frequentemente, substituído pela pirotecnia tecnológica em outro. Os resultados alcançados a duras penas numa gestão é substituído pela mistificação e pela demagogia, pelo discurso vazio que enche os ouvidos, mas não leva a nada, em outro.
E assim tem caminhado a educação, a passos de tartaruga. E isso não é força de expressão. Os últimos resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgados recentemente, foram recebidos com festa pelo Ministro da Educação porque o Brasil foi o terceiro país que mais avançou: passou de 368 pontos, em 2000, para 401 em 2009. Ou seja, o estamos crescendo 3,7 pontos por ano. Nesse ritmo, alcançaremos a China (Xangai) em 48 anos, a Coreia e a Finlândia em 38 anos e a proficiência média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 26 anos.
É sempre bom lembrar que, de 1998 a 2002, Minas caiu do 1o lugar nacional em todas as séries avaliadas pelo SAEB/MEC para o 3o lugar, na 5a série do ensino fundamental, e para 7o lugar no 3o ano do ensino médio. Por que isso aconteceu? Porque, por razões puramente políticas, os projetos que vinham produzindo bons resultados foram substituídos por outros que nada acrescentaram ao ensino e à aprendizagem dos alunos.
Mas não é somente isso que agride a educação mineira. Quem não se lembra do tempo em que o deputado mais votado na região se sentia no “direito” de indicar o diretor da escola? Felizmente isso já ficou para trás. Mas essa politicagem se mantém até hoje para a nomeação dos diretores das Superintendências Regionais de Ensino. Estamos vivendo um momento de grande desassossego e incerteza nas SRE, e isso não é bom para a Educação. Espero que a exigência legal de certificação se torne uma realidade em nosso Estado.
O PNE e o PDEMG apontam na direção certa. Mas há muito caminho a ser percorrido até a Educação se tornar, de fato, uma questão de Estado e se colocar acima desse jogo que não diz respeito ao interesse maior da população.
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E os projetos, vão continuar?

Essa é uma pergunta que me tem sido feita com muita frequência. São professores do PIP, orientadores de GDP e de GDPeas, instituições que querem ser credenciadas para participar do PEP etc. Um grupo especialmente preocupado são os diretores das escolas do projeto Escola Viva, Comunidade Ativa.
É fácil compreender porquê estão apreensivos. Eles dirigem as escolas mais vulneráveis do sistema, situadas na periferia dos grandes centros. Seus alunos são as crianças e jovens pobres e mais sujeitas aos efeitos da violência urbana. Até 2003, suas escolas estavam completamente abandonadas e os diretores perdidos, sem saber a quem recorrer. Diariamente alguma (ou algumas) delas estava na mídia por ocorrências que sempre geravam tristes notícias. Quem não se lembra da morte de um aluno na EE Nossa Senhora do Belo Ramo, no Morro das Pedras? E os problemas enfrentados pela EE Silviano Brandão, na Pedreira Prado Lopes?
Essa realidade mudou com o projeto Escola Viva, Comunidade Ativa. Todas as fizeram o seu PDPI – Plano de Desenvolvimento Pedagógico e Institucional, as escolas foram reformadas, equipadas e preparadas para desenvolver uma relação mais estreita e colaborativa comunidade. Os sentimentos de abandono e isolamento desapareceram com o acesso direto à SEE por intermédio da equipe do projeto. Para sua proteção, Patrulhas Escolares foram adquiridas pela SEE e entregues a todas as Cias. da Polícia Militar, em Belo Horizonte.
Sob a proteção do diálogo, essas escolas têm conseguido criar um clima interno mais amigável, estimulante e desafiador e, por isso mesmo, mais favorável ao bom ensino e à aprendizagem. O resultado não poderia ser outro: esse é o grupo de escolas com maior taxa de aumento na proficiência média dos seus alunos, nos últimos anos.
Não apenas essas escolas mudaram. As pessoas, as suas necessidades e o seu nível de exigência também mudaram. Por isso, não consigo imaginar um retorno à situação anterior. Qualquer retrocesso resultaria em um preço político muito alto e um prejuízo educacional inaceitável. Não podemos nos esquecer de uma coisa: essas são as escolas das crianças e jovens que mais precisam da atenção de uma escola pública de qualidade
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Os Donos da História

O “nuncantismo” do Lula acabou virando livro de humor: “Nunca Antes na História Desse País”, escrito por Marcelo Tas e publicado pela Editora Panda Books, em 2009. Mas, o que parece marca exclusiva do nosso ex-presidente é algo mais disseminado do que parece. Essa tendência de ignorar ou diminuir o valor do que foi feito, ou de simplesmente se apropriar das boas realizações de outras pessoas, é característico dos “donos da história”. Eles não se acanham na hora de manipular os fatos, ajustá-los à sua conveniência e transformar em realizações próprias o que foi feito com imaginação, esforço e mérito por outros.
A Educação é uma área demasiadamente complexa e, pela natureza dos problemas que comporta, deveria estar a salvo disso. No caso de Minas, em especial, a extensão territorial e as desigualdades regionais existentes geram desafios que não podem ser enfrentados por uma única pessoa iluminada ou um único governo esclarecido. Por isso, ela é uma obra coletiva, realizada por muitos, num esforço continuado ao longo de muito tempo.
Acompanho e colaboro com a Secretaria de Educação desde 1977, quando era um jovem professor da UFMG, e reconheço que a continuidade é um dos ingredientes importantes do sucesso da educação mineira. Nesses 34 anos, passaram pela Secretaria de Educação quinze Secretários, ao longo de nove governos. Para compreender o que se passa hoje, considero mais significativa as mudanças que foram sendo introduzidas, a partir de 2003, no governo Tancredo Neves, primeiro eleito diretamente após o golpe de 64.
O fato marcante da gestão do Prof. Otávio Elísio, Secretário de Educação, foi a realização do Congresso Mineiro de Educação, coordenado pelo Superintendente Educacional Prof. Neidson Rodrigues. Esse Congresso resultou no documento Diretrizes para a Política de Educação de Minas Gerais que serviu de base para a elaboração do Plano Mineiro de Educação – 1984/1987.
Durante o período em que o prof. Walfrido dos Mares Guia foi Secretário, de 1991 a 1994, mudanças importantes aconteceram. A eleição de diretores de escola foi a medida que encontrou maior resistência por parte dos deputados estaduais. Maior autonomia das escolas, criação dos colegiados de escola, implantação do sistema de avaliação da aprendizagem dos alunos e a descentralização de recursos para as Caixas Escolares, também criadas nesse período, constituem um legado importante e produz benefícios até hoje na educação básica.
De 1995 a 1998, dois secretários responderam pela Educação: a profa. Ana Luiza Machado Pinheiro e o prof. João Batista dos Mares Guia. Nesse período foram desenvolvidos importantes projetos, financiados com recursos do Banco Mundial. Foi implantado o CBA (Ciclo Básico de Alfabetização), o Programa de Aceleração da Aprendizagem, a municipalização parcial do ensino fundamental, a informatização das escolas de ensino médio, o Procap e o Procad, programas de capacitação de professores e de diretores de escola, respectivamente. A pouca rotatividade na equipe da Educação, nos governos Hélio Garcia e Eduardo Azeredo, com poucas mudanças nos vários escalões, garantiu uma unidade/continuidade em torno do projeto de reforma e coerência nas ações.
Durante a gestão do prof. Murílio de Avelar Hingel, no governo Itamar Franco, duas medidas se destacaram. Primeiro, foi criado o SIMAVE – Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública. A segunda medida foi a implantação projeto Veredas para formação de professores dos anos iniciais do ensino fundamental em Curso Normal Superior. A rede estadual possui, hoje, apenas 6,5% dos professores com formação de nível médio graças, em grande medida, a esse programa.
Nas duas gestões do governo Aécio Neves, de 2003 a 2010, esteve à frente da Secretaria a profa. Vanessa Guimarães Pinto. Foi um período de grandes mudanças estruturais em que reivindicações históricas se tornaram realidade. A implantação pioneira do ensino fundamental de nove anos em todas as escolas estaduais e municipais, com matrícula aos seis anos, a implantação dos planos de carreira dos profissionais da educação básica e a aprovação da lei da remuneração por subsídio, o projeto Alfabetização no Tempo Certo, a criação do Proalfa – Programa de Avaliação da Alfabetização, o Programa de Formação Profissional (PEP), dentre outras, são medidas que transformaram a educação nas escolas estaduais e levaram a educação de Minas a uma posição destacada no cenário nacional.
Das futuras gestões só se pode esperar que continuem avançando, acrescentando soluções originais ou introduzindo aperfeiçoamentos que resultem num sistema de escolas mais eficazes.
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Aos amigos da SRE de Januária


Sei que estou em débito com vocês. Devo a todos uma palavra de agradecimento pela gentileza com que sempre me receberam e pela confiança que todos depositaram em mim. São credores, também, pelo empenho com que se dedicaram a enfrentar o desafio de transformar a realidade da educação na nossa região.
Hoje, após três anos de muita labuta, parece que foi tudo fácil. Mas somente quem viveu as dificuldades que vocês tiveram que enfrentar sabe o valor de cada passo, de cada conquista. Cada escola reformada ou construída, uma quadra esportiva nova, um carro novo e uma sede nova para a SRE, um resultado melhor no desempenho dos alunos, uma banda ou uma fanfarra, tudo sempre foi comemorado com justa alegria. Também nas escolas o ambiente se transformou. Em dezembro passado, quando aí estive pela última vez, soube que várias escolas estavam comemorando com a comunidade escolar o sucesso obtido na avaliação do Proalfa.
Devemos nos orgulhar não apenas pelo que foi feito, mas por termos aprendido a fazer. E somente será possível continuar essa jornada se soubermos preservar em alto nível o respeito à Educação, mantendo-a acima dos interesses menores, de ordem pessoal ou política. Coragem e decisão firme são indispensáveis para rejeitar qualquer tentativa de retrocesso nesse aspecto. Proteger a Educação é dever de todos nós, e para isso não faltarei com o meu apoio, a minha disposição e a influência que ainda me resta.
Quero agradecer, de modo especial, a duas pessoas pela maneira digna e elevada com que atuaram em todo esse processo e que constituem exemplo para todos nós. Ao amigo Carlos Magno Machado, pela visão esclarecida e  pela dedicação sincera, e à Tânia Maria de Matos Normanha, Diretora da SRE, pela liderança e pela atitude de respeito às pessoas e ao bem público. Ao homenageá-los, estendo a todos os diretores, professores, especialistas, inspetores e demais servidores, o meu agradecimento.
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Aos amigos e companheiros da rede estadual.

As inúmeras manifestações que tenho recebido de todos os amigos e colegas da rede estadual não me permitem deixar a Secretaria de Educação silenciosamente, à “francesa”. Não tenho o direito de fazer isso porque, durante anos, andei por todo o Estado procurando acender a esperança e fortalecer a confiança de que é possível, juntos, construir uma educação pública de qualidade para todos, em todas as regiões do Estado. E a incompletude dessa tarefa não autoriza apenas uma mensagem de despedida, porque ainda há muito para ser feito.
A batalha iniciada anos atrás, quando ainda fazia o curso de licenciatura, continua agora, de uma maneira nova, lançando mão dos recursos da tecnologia e em rede de informação e colaboração com todos que desejam tornar a escola pública capaz de produzir os resultados que se espera de uma boa educação: capital humano de qualidade com pessoas motivadas e preparadas para a vida social solidária e para o trabalho.
Este blog está sendo criado e será mantido como um ponto de observação e acompanhamento da evolução da educação. A diretriz básica é: nenhum passo para trás. Todos sabemos quanto esforço custou para avançar até onde chegamos. O Plano Decenal de Educação, recentemente aprovado pela ALMG, e o Plano Nacional de Educação 2011/2020, em tramitação no Congresso Nacional, com suas diretrizes, metas e estratégias, constituirão as nossas referências mais importantes.
Mas este blog será, também, um instrumento para influenciar os caminhos da educação por meio de idéias, sugestões e análises fundamentadas. Promover mudança de mentalidade, fortalecer os compromissos com a educação e renovar as práticas nas escolas públicas são a essência do seu projeto.
Será que dá para fazer? Sim, porque desejamos e queremos. Algumas logomarcas destacadas neste blog lembram projetos bem sucedidos que vêm mudando a face da educação mineira, apesar das dificuldades para implementá-los. Uma frase de Humberto Maturana  traduz bem o espírito e a disposição que nos dominam: Cada vez que afirmamos que temos uma dificuldade no fazer, existe de fato uma dificuldade no querer, que fica oculta pela argumentação sobre o fazer.
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