PROEB 2010: fechando um ciclo com chave de ouro (2)

O ensino médio é um “osso duro de roer”.

Em todo o Brasil, esse é o nível de ensino que vem apresentando mais dificuldades para superar os problemas que apresenta. E não é sem razão, porque ele é o estuário de tudo de bom e de criticável que acontece ao longo da educação básica. Por isso mesmo, os seus problemas não se resolverão por consequência de uma ação limitada ao âmbito dos três anos do ensino médio, mas por uma intervenção que alcance todos os níveis do sistema de ensino.
Os dados recentemente publicados SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) colocam em evidência esse fato: apesar dos esforços e dos investimentos realizados, os resultados do 3o ano do ensino médio caíram 8,2 pontos em Matemática e 7,1 pontos em Português, de 2009 para 2010. Do ponto de vista do desempenho dos alunos, o ensino médio está andando para trás.
Em Minas, a série histórica dos resultados do PROEB mostram uma tendência bem diferente. O desempenho dos alunos tem crescido continuamente, como mostra o gráfico a seguir, embora a taxas menores que no ensino fundamental.
De 2000 a 2010, as taxas de aumento da proficiência são de 15,1% e 5,3%, em Matemática e Português, respectivamente. De 2009 para 2010, o desempenho dos alunos cresceu 6,6 pontos em Matemática, e 7,4 pontos em Língua Portuguesa. Esses resultados do PROEB 2010, antecipam um bom desempenho de Minas na avaliação da Prova Brasil, em 2011.
Além disso, a proficiência média tem aumentado porque o percentual dos alunos de baixo desempenho tem diminuído (e, não, porque somente os melhores alunos melhoraram mais ainda) Em 2006, 67,1% dos alunos tinham baixo desempenho em Matemática e 35% em Português. Em 2010, esses percentuais diminuíram para 54,8% e 23,7%, respectivamente.
É importante observar o deslocamento dos alunos dos níveis de desempenho mais baixos para os mais elevados, de 2006 a 2010. No caso de Português, a variação no percentual de alunos de desempenho (-11,3%) é aproximadamente igual ao aumento no percentual de alunos no desempenho recomendável (10,2%). Isso significa que o trabalho realizado pelos professores de Português tem sido capaz de transferir do nível intermediário para o recomendado um percentual de alunos aproximadamente igual ao que foi transferido do nível baixo para o intermediário.
Em Matemática é diferente: o percentual de alunos promovidos do nível intermediário para o recomendado é bem menor que o dos alunos promovidos do baixo para o intermediário. Isso resulta num acúmulo de alunos no nível intermediário, isto é, a meio caminho de alcançar o patamar recomendado.
Bons resultados “não caem do céu”, como todos sabemos. Muito esforço e energia foram investidos nos projetos realizados nesses oito anos. Três dos oito projetos estruturadores da SEE visavam melhorar o ensino médio: o Promédio, o Escolas-Referência e o Programa de Educação Profissional (PEP). Além disso, foram implantados o projeto Aprofundamento de Estudos, distribuídos livros didáticos para todos os alunos desse nível de ensino e garantida merenda escolar para todos os alunos do noturno.
Em conclusão, os investimentos e esforços realizados por todos não têm sido em vão. Isso alimenta a expectativa de que, mantida (e até intensificada) a determinação de melhorar o ensino médio e torná-lo mais atraente, significativo e alinhado com os planos de futuro dos alunos, são grandes as chances de se obterem resultados mais expressivos nos próximos anos.
Esta entrada foi publicada em Resultados e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *