E os projetos, vão continuar?

Essa é uma pergunta que me tem sido feita com muita frequência. São professores do PIP, orientadores de GDP e de GDPeas, instituições que querem ser credenciadas para participar do PEP etc. Um grupo especialmente preocupado são os diretores das escolas do projeto Escola Viva, Comunidade Ativa.
É fácil compreender porquê estão apreensivos. Eles dirigem as escolas mais vulneráveis do sistema, situadas na periferia dos grandes centros. Seus alunos são as crianças e jovens pobres e mais sujeitas aos efeitos da violência urbana. Até 2003, suas escolas estavam completamente abandonadas e os diretores perdidos, sem saber a quem recorrer. Diariamente alguma (ou algumas) delas estava na mídia por ocorrências que sempre geravam tristes notícias. Quem não se lembra da morte de um aluno na EE Nossa Senhora do Belo Ramo, no Morro das Pedras? E os problemas enfrentados pela EE Silviano Brandão, na Pedreira Prado Lopes?
Essa realidade mudou com o projeto Escola Viva, Comunidade Ativa. Todas as fizeram o seu PDPI – Plano de Desenvolvimento Pedagógico e Institucional, as escolas foram reformadas, equipadas e preparadas para desenvolver uma relação mais estreita e colaborativa comunidade. Os sentimentos de abandono e isolamento desapareceram com o acesso direto à SEE por intermédio da equipe do projeto. Para sua proteção, Patrulhas Escolares foram adquiridas pela SEE e entregues a todas as Cias. da Polícia Militar, em Belo Horizonte.
Sob a proteção do diálogo, essas escolas têm conseguido criar um clima interno mais amigável, estimulante e desafiador e, por isso mesmo, mais favorável ao bom ensino e à aprendizagem. O resultado não poderia ser outro: esse é o grupo de escolas com maior taxa de aumento na proficiência média dos seus alunos, nos últimos anos.
Não apenas essas escolas mudaram. As pessoas, as suas necessidades e o seu nível de exigência também mudaram. Por isso, não consigo imaginar um retorno à situação anterior. Qualquer retrocesso resultaria em um preço político muito alto e um prejuízo educacional inaceitável. Não podemos nos esquecer de uma coisa: essas são as escolas das crianças e jovens que mais precisam da atenção de uma escola pública de qualidade
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Uma resposta a E os projetos, vão continuar?

  1. arlete gonçalves lages disse:

    Professor Filocre,
    Estou feliz em saber que teremos você nesta torcida para o desenvolvimento da educação em Minas.Suas idéias, sua força e seu apoio, neste momento de mudanças e expectativas para continuação dos planos e projetos que idealizou.
    Conte comigo.
    Arlete Gonçalves Lages

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